Informações de Salvador
Salvador, ou na sua denominação antiga São Salvador da Baía de Todos os Santos é capital do estado da Bahia e primeira capital do Brasil. Seus habitantes são chamados de soteropolitanos, gentílico criado a partir da tradução do nome da cidade para o grego: Soterópolis, ou seja, "cidade do Salvador", composto de sótero ("salvador") e pólis ("cidade").
Salvador é uma metrópole nacional com quase três milhões de habitantes, e a terceira cidade mais populosa do Brasil.
Segundo estimativas de 2007 (depois de São Paulo e Rio de Janeiro), primeira do Nordeste e a sétima mais populosa da América Latina (superada por Cidade do México, São Paulo, Lima, Bogotá, Rio de Janeiro e Santiago). É centro econômico do estado, é porto exportador, centro industrial, administrativo e turístico, tem diversas universidades e uma base naval.
A cidade de Salvador era antigamente chamada de Bahia, inclusive por moradores do próprio estado. Também já recebeu alguns epítetos, como o de "Capital da Alegria", devido a seus enormes festejos populares, como o seu carnaval, e "Roma Negra", por ser considerada a metrópole com maior percentual de negros localizada fora da África.
A região antes mesmo de ser fundada cidade, já era habitada desde o naufrágio de um navio francês, em 1510, de cuja tripulação fazia parte Diogo Álvares, o famoso Caramuru. Em 1534, foi fundada a capela em louvor a Nossa Senhora da Graça, porque ali viviam Diogo Álvares e sua esposa, Catarina Paraguaçu.
Em 1536, chegou na região o primeiro donatário, Francisco Pereira Coutinho, que recebeu capitania hereditária de El-Rei Dom João III. Fundou o Arraial do Pereira, nas imediações onde hoje está a Ladeira da Barra. Esse arraial, doze anos depois, na época da fundação da cidade, foi chamado de Vila Velha.
Em 29 de Março de 1549 chegam, pela Ponta do Padrão, Tomé de Sousa e comitiva, em seis embarcações: três naus, duas caravelas e um bergantim, com ordens do rei de Portugal de fundar uma cidade-fortaleza chamada do São Salvador. Nasce assim a cidade de Salvador: já cidade, já capital, sem nunca ter sido província. Todos os donatários das capitanias hereditárias eram submetidos à autoridade do primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa.
A cidade foi invadida pelos holandeses em 1598, 1624-1625 e 1638. O açúcar, no século XVII, já era o produto mais exportado pela colônia. No final deste século a Bahia se torna a maior província exportadora de açúcar. Nesta época, os limites da cidade iam da freguesia de Santo Antônio Além do Carmo até a freguesia de São Pedro Velho. A Cidade do São Salvador da Bahia de Todos os Santos foi a capital, e sede da administração colonial do Brasil até 1763.
Em 1809, Marcos de Noronha e Brito, o conde dos Arcos, iniciou sua administração, a qual foi muito benéfica à cidade. Em 1812 ele inaugurou o Teatro São João, onde mais tarde Xisto Bahia cantaria suas chulas e lundus, e Castro Alves inflamaria a platéia com seus maravilhosos poemas líricos e abolicionistas.
Durante o século XIX, Salvador continuou a influenciar a política nacional, tendo emplacado diversos ministros de Gabinete no Segundo Reinado, tais como José Antônio Saraiva, José Maria da Silva Paranhos, Sousa Dantas e Zacarias de Góis. Com a proclamação da República, e a crise nas exportações de açúcar, a influência econômica e política da cidade no cenário nacional decresce; nos últimos anos, a cidade tem atraído investimentos estrangeiros e revela crescimento em importância político-econômica.
A palavra Pelourinho, em seu sentido amplo, corresponde a uma coluna de pedra localizada normalmente ao centro de um praça, onde eram expostos e castigados criminosos. No Brasil, e em especial o pelourinho de Salvador, seu uso principal era para castigar escravos através de chicotadas durante o período colonial. Com o fim da escravidão no Brasil, em 1888, este local da cidade passou atrair artistas de todos os gêneros: cinema, música, pintura, etc., tornando o Pelourinho em um centro cultural.
Em 1991, iniciou-se uma grande restauração do casario e houve maciço investimento estatal em segurança e financiamento na instalação de hospedarias, restaurantes, escolas de dança e outras artes, aumentando a procura do local por turistas, tanto nacionais quanto estrangeiros. Possui atualmente um lugar no Registro Histórico Nacional e é chamado de Centro Cultural do Mundo pela UNESCO.
O Pelourinho de Salvador é um local repleto de construções coloniais de diferentes tons de cor. Algumas construções são mais bonitas por fora do que por dentro, pois a obra de restauração financiada pelo Governo do Estado e organismos internacionais priorizou mais a recuperação das fachadas do que o interior do casario. Esse fato justifica-se pois muitos imóveis estavam em completo estado de ruína, o que impossibilitou a reconstrução fiel do interior dessas construções.
Muitas das construções, no entanto, foram completamente restauradas, tanto externa quanto internamente, devido ao estado de conservação que permitiu o aproveitamento total das estruturas físicas desses imóveis.
A reforma do Centro Histórico não serviu apenas para atrair os turistas, mas também para que a UNESCO certificasse aquele sítio histórico como Patrimônio da Humanidade.
Salvador faz parte da Organização das Cidades do Patrimônio Mundial, por possuir o sítio Centro Histórico de Salvador como parte do Patrimônio Mundial da UNESCO.
A cultura desenvolvida em Salvador, primeira cidade do Brasil, e no Recôncavo da Bahia, exerceu influência decisiva em outras regiões do país, e na própria imagem que se tem do Brasil no exterior. Desde o século XVII observa-se no estado uma dualidade religiosa: de um lado, a religião católica (de origem européia); do outro, o candomblé (de origem africana).
Já no século passado firmou-se o gosto do baiano - tanto o de origem abastada quanto o pobre - pelo epigrama (tipo de poesia satírica); pelas modinhas (poesia lírica musicada); e, também, pelos sermões religiosos, praticado desde Frei Vicente do Salvador e tendo seu ápice em Vieira.
A chegada dos africanos vindos do golfo de Benim e do Sudão, no século XVIII, foi decisiva para desenvolver a cultura da Bahia como um todo. Segundo Nina Rodrigues, isso é o que diferencia a cultura baiana da cultura encontrada nos outros estados brasileiros. Nesses, os africanos que vieram eram, predominantemente, os negros bantos de Angola.
Os negros iorubanos e nagôs estabeleceram uma rica cultura nas terras da Baía de Todos os Santos. Pois que tinham religião própria, o candomblé; música própria, a chula, o lundu; dança própria, praticada no samba de roda; culinária própria, que deu origem à culinária baiana, inventando diversos pratos com base no azeite-de-dendê e leite de coco, e sobremesas, desenvolvendo o que veio de Portugal; luta própria, a capoeira, e o maculelê; vestimenta própria, aliando as já tradicionais indumentárias africanas às fazendas portuguesas; e uma mistura de línguas, mesclando iorubá com português.
No século XIX, os visitantes começaram a cultuar a imagem da Bahia como de uma terra alegre, bonita, rica (por causa da cana-de-açúcar e das pedras preciosas das Lavras) e culta, que dava ao Brasil grandes intelectuais e Ministros do Gabinete Imperial.
Na década de 1870, as baianas começaram a migrar para o Sudeste do país em busca de emprego. E, assim, essas "tias" baianas foram disseminando a cultura da Bahia, vendendo acarajés em seus tabuleiros e gamelas, dando festas onde se dançava samba de roda (que, mais tarde, modificado pelos cariocas, iria resultar no samba como se tornou conhecido), desfilando suas batas e panos-da-costa pelas ruas da Capital Federal. Por isso, naquela época, chamava-se de baiana todas as negras bonitas, segundo afirma Afrânio Peixoto, no "Livro de Horas".
A partir da década de 20 do século XX, torna-se moda fazer músicas em louvor à Bahia. E houve grande polêmica quando o sambista Sinhô, contrariando, cantou que a Bahia era "terra que não dá mais coco". Baianos e cariocas, tais como Donga, Pixinguinha, Hilário Jovino Ferreira e João da Baiana, foram defender a Bahia.
A partir da década de 30, primeiro pelos romances de Jorge Amado e depois pelas músicas de Dorival Caymmi, ficou estabelecida ante o Brasil a imagem que se tem da Bahia, perdurando até os dias atuais.
Personalidades
Escritores e poetas: Antônio de Castro Alves; Afrânio Coutinho; Artur de Sales; Camillo de Jesus Lima; Constâncio Alves; Frei Vicente do Salvador; Gregório de Matos; Junqueira Freire; Luís Gama; Rocha Pita.
Juristas e políticos: Antônio Carlos Magalhães; César Borges; Cipriano Barata; Conde dos Arcos; Góes Calmon; João Mangabeira; José Joaquim Seabra; Luís Gama; Luis Viana; Manuel Vitorino; Marquês de Caravelas; Otávio Mangabeira; Rômulo Almeida; Ruy Barbosa; Visconde da Pedra Branca; Visconde de Cairu; Visconde de Jequitinhonha; Visconde de Rio Branco.
Empreendedores: Francisco Agostinho Gomes; Luís Tarquínio; Manuel Ferreira da Câmara Bittencourt Sá; Marquês de Barbacena; Norberto Odebrecht; Visconde de Cairu.
Músicos e artistas: Adriana Lima; Anísio Silva; Batatinha; Calasans Neto; Camafeu de Oxossi; Carlinhos Brown; Carybé; Daniela Mercury; Dorival Caymmi; Edil Pacheco; Édson Gomes; Gal Costa; Gilberto Gil; Lazzo Matumbi; Margareth Menezes; Marta Rocha; Mestre Bimba; Mestre Pastinha; Nélson Rufino; Pitty; Raul Seixas; Riachão; Simone; Xisto Bahia.
Cientistas e pesquisadores: Anísio Teixeira; Cid Teixeira; Francisco de Castro; Elsimar Coutinho; Juliano Moreira; Oscar Freire.
Religiosos e ativistas: Divaldo Franco; Francisco de Sousa; Irmã Dulce; Joana Angélica; Mãe Menininha do Gantois; Mãe Senhora; Otto Nelson; William Bagby.
Esportistas: Acelino "Popó" Freitas; Dida; Ricardo; Tony Kanaan; Edvaldo Valério; Naiara Ribeiro, Bebeto.
A cidade é um importante destino turístico do país. Quanto ao turismo internacional, fica atrás apenas do Rio de Janeiro em procura segundo a EMTURSA. O interesse pela cidade se dá pela beleza do seu conjunto arquitetônico e da cultura local.
O turista que escolhe Salvador pode ir à praia pela manhã, fazer um passeio ao Centro Histórico à tarde, jantar em um dos bons restaurantes da cidade e ir dançar nos ensaios dos blocos de carnaval ou ao som de outros estilos musicais. Outras opções de lazer são os teatros, como o Castro Alves, o Jorge Amado e o Vila Velha. Ainda se pode ir ao Farol da Barra ver o pôr-do-sol na Baía de Todos os Santos.
O Mercado Modelo é o ponto escolhido por muitos turistas para comprar lembranças da Bahia, dentre elas rendas, berimbaus e todo tipo de artesanato produzido no estado. No seu porão - que atualmente é aberto a visitação - ficavam os escravos vindos da África enquanto aguardavam serem leiloados. O porão é repleto de placas de concreto com cerca de 30 centímetros de altura do chão, para que o turista possa ali passear mesmo quando a maré está cheia, pois é comum o porão encher-se de água do mar neste momento. Os arcos com os tijolos a mostra - e que servem de estrutura para o Mercado Modelo - fazem belas composições quando refletidos no espelho d'água. Idiossincrasia de um tempo moderno.
Outro grande atrativo da cidade é o seu Carnaval, considerado a maior festa popular do mundo (o Guinness Book, em 2004, registrou o carnaval da Bahia como sendo o maior do mundo). Existem três formas de aproveitar o carnaval baiano, uma é associar-se a um dos blocos carnavalescos que são puxados por trios elétricos e isolados da multidão por uma corda. Muitos argumentam que isto termina por privatizar o espaço público, e de que essa forma de aproveitar o carnaval só é acessível àqueles com alto poder aquisitivo, pois para adquirir um abadá é preciso desembolsar, em média, oitocentos reais. A segunda forma é ficar nos camarotes que estão distribuídos por todo o percurso da folia. Essa forma de pular carnaval só é acessível para quem tem ainda mais dinheiro, preferindo assistir a festa do alto, em confortáveis espaços onde os pagantes podem dispor de boates, serviços médicos, banquetes de frutas e comidas típicas, além de outras amenidades.
Seu povo é alegre, criativo, musical e herdeiro de um rico folclore e de relevantes manifestações culturais. A cidade é reconhecida pela originalidade de suas manifestações musicais, culinárias, religiosas e lutas marciais, além de ser berço de grandes nomes nas diversas áreas artísticas, com profundo destaque nacional e internacional.
Os ritmos musicais mais comuns da região são o axé, o pagode, o forró, o arrocha e o samba. Mas há também um forte movimento de MPB e rock acontecendo na Bahia, que vem atraindo a atenção dos produtores musicais brasileiros.
A cidade é berço de grandes artistas, e é cantada em prosa e verso por muitos cantores brasileiros e estrangeiros.
Fonte: Wikipedia





